Endrick Copa do Mundo 2026: A Estrela do Brasil
O centroavante de 19 anos do Real Madrid e a disputa mais acirrada do futebol brasileiro em 2026
O Brasil chega à Copa do Mundo 2026 com mais opções de ataque do que qualquer outra seleção do torneio — e a disputa pela posição de centroavante é o debate mais apaixonante do futebol brasileiro neste momento. Com Carlo Ancelotti anunciando a lista definitiva de 26 jogadores em 18 de maio, dois nomes dominam a conversa: Endrick, o garoto de 19 anos que o Real Madrid pagou 60 milhões de euros, e Igor Thiago, do Brentford, que terminou a Premier League como segundo maior artilheiro, atrás apenas de Erling Haaland. Mas quem é Endrick, o que ele já conquistou, e qual será o seu papel na Copa?
Quem é Endrick: de Taguatinga ao Bernabéu
Endrick Felipe Moreira de Sousa nasceu em 21 de julho de 2006 em Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal, em uma família de recursos modestos. Desde criança, demonstrou uma habilidade fora do comum que chamou atenção do Palmeiras, que o incorporou ao seu programa de formação. Ele progrediu nas categorias de base em ritmo acelerado, jogando com atletas dois e três anos mais velhos em cada etapa. Fez sua estreia profissional pelo Palmeiras com 16 anos e 5 meses, tornando-se o jogador mais jovem a marcar pelo Brasileirão naquele momento. Antes de completar 18 anos, já acumulava 18 gols e 8 assistências em 58 partidas pelo clube em todas as competições.
Em dezembro de 2022, quando Endrick ainda tinha 16 anos, o Real Madrid fechou sua contratação por cerca de 60 milhões de euros com variáveis — um dos contratos mais caros da história para um adolescente no momento da assinatura. As regras da FIFA impediam a transferência para a Europa antes dos 18 anos, então ele permaneceu no Palmeiras até julho de 2024. A seleção brasileira o convocou para o time principal em 2023, e ele marcou gol na estreia, confirmando que as qualidades desenvolvidas no Palmeiras — movimentação, frieza na finalização, capacidade de converter meias chances — já estavam presentes no nível mais alto. Chegou ao Bernabéu em julho de 2024 sob o comando de Carlo Ancelotti.
Real Madrid, Lyon e a Copa do Mundo: a trajetória que explica tudo
A primeira temporada de Endrick no Real Madrid foi de aprendizado e frustração. Com a chegada de Kylian Mbappé, os minutos ficaram ainda mais escassos — foram 37 partidas em 2024-25, mas apenas 847 minutos no total, com sete gols. A falta de ritmo era exatamente o que precisava ser corrigido antes da Copa. Em dezembro de 2025, Endrick foi cedido ao Lyon por empréstimo. O objetivo era direto: garantir minutos, recobrar a confiança e assegurar uma vaga na lista mundialista. Em 12 jogos pelo Lyon em todas as competições, ele marcou seis gols e deu quatro assistências — números que o trouxeram de volta com firmeza aos planos de Ancelotti para o Brasil.
É importante esclarecer uma dúvida que circula entre torcedores: Endrick ganhou Copa del Rey? A resposta é não. O Real Madrid foi eliminado da Copa del Rey 2024-25 ainda nas oitavas de final, pelo Leganés, em janeiro de 2025 — uma derrota surpreendente que encerrou precocemente a participação do clube na competição. Endrick, portanto, não tem esse título em seu currículo. Sua temporada europeia foi marcada pela busca por ritmo e oportunidades, não por conquistas coletivas expressivas.

Endrick pela seleção brasileira: gols, estreia e importância
Convocado ainda pelo técnico Fernando Diniz em 2023, Endrick marcou gol em sua primeira partida pela seleção principal — um começo que poucos jogadores conseguem. Desde então, acumulou convocações regulares e se tornou parte fundamental dos planos de longo prazo do Brasil. Sua presença no elenco não é uma aposta no potencial; é um reconhecimento de que ele já tem o que é necessário para atuar no nível mais alto. Com Ancelotti no comando, Endrick seguiu sendo convocado e participou dos jogos do ciclo de preparação para o Mundial.
A vantagem específica que Endrick tem sobre outros candidatos ao posto de centroavante é a familiaridade com Ancelotti. O técnico o conhece de perto pelo período juntos no Real Madrid, sabe como ele responde à pressão, conhece seu perfil de movimentação e sabe como aproveitá-lo dentro do esquema da seleção. Essa confiança mútua é um fator que nenhuma estatística captura completamente, mas que pesa muito em uma convocatória de Copa do Mundo.
O debate com Igor Thiago: dois perfis, uma vaga
A disputa de Endrick por uma vaga na Copa do Mundo não está encerrada. Igor Thiago, do Brentford, construiu um argumento poderoso ao longo de toda a Premier League 2024-25 — terminou a temporada como vice-artilheiro do campeonato, atrás apenas de Haaland. Em 16 de março de 2026, o desempenho lhe rendeu a primeira convocação para a seleção brasileira. O argumento de Igor Thiago não depende de potencial: está construído sobre gols marcados no nível mais alto do futebol europeu justamente nos meses que mais importam para a seleção.
A diferença entre os dois é de perfil. Endrick é um atacante de movimentação — veloz nas transições, efetivo em espaços reduzidos, construído para um papel que exige reposicionamento constante sem a bola. Igor Thiago é um centroavante mais clássico, imponente dentro da área e clínico com as meias chances que um torneio de alto nível cria. O Brasil de Ancelotti constrói pelas pontas, com Vinicius Jr. e Raphinha como ameaça principal — o centroavante é definido pelo posicionamento inteligente mais do que pelo volume de participações.

As lesões de Rodrygo e Estevão mudam o cenário
O debate entre Endrick e Igor Thiago não existe isolado. Rodrygo — que poderia ocupar um dos espaços do ataque e reduzir a pressão sobre os candidatos a centroavante — foi descartado da Copa após sofrer ruptura do ligamento cruzado anterior e do menisco externo no joelho direito. Estevão, atacante do Chelsea considerado um dos talentos jovens mais promissores da nova geração do Brasil, teve uma lesão muscular grau 4 e nem chegou a entrar na lista preliminar de 55 jogadores. Juntas, essas duas ausências mudam a aritmética da convocatória: posições que pareciam definidas ficaram abertas, e a decisão entre Endrick e Igor Thiago torna-se a questão central do anúncio de 18 de maio.
Ancelotti entregou à FIFA uma lista preliminar de 55 jogadores em 11 de maio de 2026, com Endrick e Igor Thiago incluídos. A presença surpreendente de Neymar nessa mesma lista longa — apesar de sua ausência em todas as convocatórias anteriores do técnico — mostra o quanto a situação permanece fluida até o último momento. A lista preliminar não é o elenco definitivo; os 26 jogadores finais serão confirmados no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, em 18 de maio.
O Brasil na Copa do Mundo 2026: opções de ataque e previsão
O Brasil estreia no Grupo C em 13 de junho contra Marrocos no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey — uma partida que testará a precisão do ataque contra uma equipe defensivamente organizada com experiência em grandes torneios. O segundo jogo é contra o Haiti, em 19 de junho, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, onde a diferença de gols pode ser relevante. A fase de grupos se encerra em 24 de junho contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami.
O esquema preferido de Ancelotti — 4-3-3 ou 4-2-3-1 — coloca a responsabilidade criativa principal nas pontas. Vinicius Jr., melhor jogador do mundo em 2024, e Raphinha, em temporada excepcional pelo Barcelona, são a ameaça ofensiva central. O centroavante — seja Endrick ou Igor Thiago — funciona como referência posicional e caçador de oportunidades em espaços centrais. Ambos encaixam nesse perfil, mas por caminhos distintos. Quem Ancelotti escalar no dia 13 de junho carregará o peso de uma decisão que o Brasil inteiro discute desde o início do ano.
O que Endrick representa para o futuro do Brasil
Se Endrick for convocado e ganhar minutos na Copa do Mundo 2026, o Brasil terá em campo um atacante que decide jogos nas margens — o tipo que produz um momento de qualidade individual num jogo difícil de ser aberto, mais do que um que domina a posse ou acumula participações. Sua passagem pelo Lyon demonstrou exatamente isso: gols e assistências gerados a partir de oportunidades limitadas, em uma equipe que não monta o sistema em torno dele. Para um Brasil onde Vinicius Jr. e Raphinha carregam a carga criativa, esse perfil se encaixa com precisão no papel de centroavante do esquema de Ancelotti.
O significado maior da presença de Endrick em seu primeiro Mundial vai além do resultado deste torneio. Ele completa 20 anos em 21 de julho de 2026 — o dia seguinte à final da Copa do Mundo. Um jogador com seu perfil de desenvolvimento, com o suporte da infraestrutura do Real Madrid e o respaldo de Ancelotti, já está nos planos do Brasil para o ciclo de 2030. O torneio de 2026 é o palco que pode acelerar essa trajetória com um gol na maior plataforma do mundo — ou confirmar que mais um ano de futebol de clube em alto nível é necessário antes desse momento chegar. Qualquer dos dois resultados é o começo de um capítulo de carreira, não o fim de um.